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Importação de café é autorizada, e Estado pode ter prejuízo de R$ 1,5 bi

Empresas brasileiras poderão importar grão até maio deste ano de países como o Vietnã

Conilon: importação atrapalhará produtores do Estado
Conilon: importação atrapalhará produtores do Estado
Foto: Vitor Jubini

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do governo federal, autorizou a importação de café robusta verde por parte de empresas brasileiras no período de fevereiro a maio. A medida ainda precisa ser validada pela Camex, que colocará o tema em pauta na próxima reunião marcada para o dia 22. A maior parte do café importado viria do Vietnã, principal concorrente capixaba no mercado internacional de conilon.

Caso a importação seja efetivamente liberada, os produtores capixabas poderão ter prejuízo de R$ 1,5 bilhão, segundo cálculos da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes). O volume de importação autorizado é de um milhão de sacas, entre fevereiro e maio, com limite de 250 mil sacas por mês.

Na semana passada, a Faes esteve com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, quando foi acordado que o ministério receberia o relatório de estoque de café conilon no Espírito Santo, Rondônia e Sul da Bahia, que contabiliza 4,4 milhões de sacas de café - mais que o dobro da quantia levantada pela Conab - e impediria a importação. “A expectativa é que o ministro honre sua palavra, como combinado. A solução provável é uma intensa pressão de toda a bancada federal sobre os componentes da Camex”, afirma Júlio Rocha, presidente da Faes.

Outra estratégia para barrar a importação será uma pressão direta sobre o presidente da República, Michael Temer. “Eu acredito que podemos reverter essa decisão da Câmara e, para isso, pode haver intervenção do presidente da República, que tem uma compreensão global do que está acontecendo e sabe dos prejuízos que a arrecadação do Espírito Santo está sofrendo”, avalia o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto.

O Espírito Santo é o maior produtor de conilon do país, sendo que a atividade cafeeira capixaba é responsável por 35% do PIB agrícola do Estado e gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos. Por outro lado, toda a indústria de torrefação do país gera menos de 2 mil empregos, destaca o presidente da Faes.