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(CARNAVAL 2017) Unidos de Jucutuquara mira na ecologia para reviver passado glorioso

Enredo remete ao carnaval de 1991 da agremiação. Reportagem da CBN revela ainda a história de amor entre um advogado e a agremiação, iniciada antes dele nascer

Unidos de Jucutuquara será a segunda escola a desfilar no Grupo Especial
Unidos de Jucutuquara será a segunda escola a desfilar no Grupo Especial
Bernardo Coutinho

No carnaval deste ano, a Unidos de Jucutuquara, uma das mais tradicionais escolas de samba, vai louvar seu passado glorioso. Com o enredo “Santuário da magia, paraíso da preservação: na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, a agremiação vai reviver o carnaval de 1991 no Sambão do Povo levando questões ecológicas para a folia.

A Jucutuquara vai desfilar dividida em quatro setores. No primeiro, serão abordadas grandes catástrofes. Em seguida, a escola trata sobre o renascimento e a resistência da natureza. No terceiro setor, será uma homenagem às pessoas que se dedicam à causa ecológica. Por fim, a agremiação deixa o Sambão do Povo com a alegoria “Santuário da magia, paraíso da preservação”. O carnavalesco Osvaldo Garcia destaca que a preocupação ecológica também estará presente nos materiais escolhidos para o desfile.

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“A grande pegada vai ser o uso de quase 100% de material alternativo e reciclável. Por exemplo, todos os destaques vêm com penas artificiais, a escola não conta com nenhuma pena de origem animal”, contou o carnavalesco.

Dedicação de uma vida inteira

Nas escolas de samba, longos casos de amor pela agremiação são frequentes. Esse é o diretor de carnaval da Jucutuquara, João Filipe Moisés, que tem 32 anos de idade, mas antes mesmo de nascer a história dele já estava ligada à escola. A mãe de João Filipe desfilou grávida dele. O resultado disso não poderia ser diferente: o advogado construiu uma trajetória de vida inteira dentro da Jucutuquara.

“A primeira vez foi na barriga da minha mãe. Ela estava em cima de uma alegoria, com sete a oito meses de gravidez. A segunda vez que eu desfilei, eu tinha três anos e fui vestido de índio, puxando uma ala. Em 2005, eu me tornei mestre-sala da escola e fiquei até o carnaval de 2011. Depois, tive uma passagem pela diretoria jurídica, fiz colaborações e, hoje, estou como diretor de carnaval”, contou.

De acordo com João Filipe, a Jucutuquara vai levar ao Sambão do Povo três carros alegóricos e 1.800 componentes. A agremiação começou como bloco e se tornou uma escola de samba, oficialmente, 1986. A partir daí, foi campeão do carnaval capixaba sete vezes. Em 2016, a Jucutuquara ficou em segundo lugar.